micro-quilombos-temporarios

Racializando as artes visuais | Material pretagógico, 2018

Ação cultural ‘A juventude negra quer viver’ | 21 dias de ativismo contra o racismo

No dia 17 rolou no Parque Madureira o evento cultural A Juventude negra quer viver, evento que integrou o 21 dias de ativismo contra o racismo. Rolou intensa troca de ideia, rolou roda de rima, rolou mostra de filmes, roda de conversa com produtores e chegou uma galera massa. O Fael Miranda fez o chamado e pra somar propus uma oficina chamada ‘racializando as artes visuais’. Minha ideia era trabalhar a representatividade preta nas artes visuais, não apenas constatando que esse lugar aí que se define ‘artes visuais’, sua história (contada dominantemente desde europe) e circuitões atuais (que não é mas quer ser europe) é dominante, homem, branco, cis, grana e bláus. Discutir isso também, se rolar clima, mas a ideia mesmomesmo era colocar ali na roda trabalhos de artistas plásticos e artistas visuais negras e negros, difundindo e discutindo as questões que estes poderiam disparar. Levei aquele material ‘A história da arte’ da Amalia dos Santos, Bruno Moreschi e Gabriel Pereira, levei livro do Basquiat, material pedagógico (MBRAC) do Arthur Bispo do Rosário, um catálogo de uma exposição de Antônio Obá (que rolou na UERJ), o livro ‘arte afro-brasileira’ do Conduru. Mas daí além desse material fiz uma parada: imprimi em tamanho A2 seis fichas/cartazes relativos ao trabalho de seis artistas negrs de gerações distintas e atuantes hoje. Nesse material levei trabalhos de Priscila Rezende, Jaime Lauriano, Michelle Mattiuzzi, Arjan Martins, Rosana Paulino e Rafael Bqueer. Em cada cartaz: a imagem de um trabalho em destaque, uma frase, uma foto e um currículo resumido de cada artista, criando uma espécie de ‘material pretagógico’. Colado nas paredes da Nave do conhecimento, o material funcionou como uma pequena exposição. Galera preta, de crianças a pessoas de idade, viu, ficou instigada e parou pra trocar uma ideia séria sobre os trabalhos. Foi bonito de ver! Agradecimento especial pra Joyce Oliveira, guerreira artista que chegou junto colaborou, desenrolou a conversa com quem passou e parou, junto comigo. Foram conversas intensas, a gurizada da roda de rima também puxou coisa dali pra fazer o verso, ó a batalha do conhecimento!
Tive que sair antes do término, e fiquei sabendo no dia seguinte, pelo Fael, que no final chegou uma mulekada e solicitou o material (os cartazes), dizendo que queriam levar os trabalhos pra quebrada deles e brotar a reflexão por lá. Meu coração sai saltitando, voando junto com a disposição e atitude dos meninos, ao saber da grande notícia!
Um prazer estar na missão e conhecer o Thiago Souza da Silva , o Thompson Alves e a Ana Luiza. Valeu a confiança e a ação galera!
O encontro me fez crer que é missão pra continuar: ampliar e seguir com esse trabalho, fazer circular. ‘Material pretagógico’
Como venho escutando do Fael, nesse momento em que estamos desnorteados com a morte de Marielle, ‘por ela, por nós’.

 

Fotos de: Thompson Alves, Ana Luiza, Fael Miranda e Rafa Éis.


II Seminário arte, política e universidade
corpos negros e instituições
Rio de Janeiro, 21 e 22 de novembro de 2017
14h às 18h no Centro Cultural da UERJ

O Seminário Arte, Política e Universidade é um ciclo de conversas, apresentações e ações, reunindo indivíduos e coletivos que atuam em diferentes frentes da cultura e educação, dentro e fora da universidade, para pensar limites, tensões e contaminações entre arte e política. Este ciclo, que não por acaso acontece nas dependências da UERJ, nasce de um contexto de greve de servidores técnicos, diante da necessidade de repensar os modos de fazer dentro da universidade, ampliando e fortalecendo a agenda de lutas.
Na segunda edição do Seminário arte, política e universidade o encontro volta a atenção para uma questão fundamental para o Brasil atual: as relações entre corpos negros e instituições. Na semana que marca a luta quilombola e a morte de Zumbi dos Palmares reuniremos artistas, gestoras e professores para pensar as relações dos corpos negros com os espaços institucionais da arte, política e sociedade, atravessando a universidade e indo para além dela.
Em um período de imensuráveis retrocessos político-sociais no Brasil e no mundo, é notável a violência com a qual a atual contexto político vem afetando a existência dos grupos minoritários. Também é notável a força de criação que emerge como vida que resiste nesta intensa zona de disputas.

 


Roda de Conversa com Artistas Negrxs | Centro Cultural Pequena África

Rio de Janeiro | 30nov, 1 e 2dez, 2016

 

Três rodas de conversa a reunir artistas, agentes culturais, pesquisadores e afins, no intuito de partilhar questões relativas aos nossos trabalhos, às nossas pesquisas, processos e projetos. O encontro tem como objetivo somar com inúmeras iniciativas recentes na construção coletiva de um território de afirmação e reivindicação de epistemologias e estéticas afro-brasileiras na produção artística contemporânea.
Tal como Charles Mills descrevera a filosofia como a mais branca das ciências humanas, podemos situar as artes visuais como a mais embranquecida das artes. Falamos de lugares que privilegiam a produção e circulação de modos de ver e fazer ainda eurocêntricos e excludentes, pela lógica da historiografia oficial. Assim, o nosso primeiro passo de questionamento desse
campo de opressão buscando torná-lo espaço de resistência negra – à luz dos quilombos, dos terreiros e dos quintais – toma corpo na partilha e no nosso fortalecimento coletivo.
Agradecemos a todes artistas envolvidxs na criação coletiva deste gesto!
O evento tem caráter independente e conta com o apoio do Centro Cultural Pequena África, através de sua gestora Celina Rodrigues, a quem agradecemos as portas abertas e generosidade. Agradecemos também a artista e educadora Marina Alves, que agenciou este encontro!


Projeto Casa Grande (Prêmio Funarte de Arte Negra, 2013)
Porto Alegre, 2014-2015.

O Projeto Casa Grande trata da construção física e simbólica de um espaço autônomo de experimentação e colaboração artística. Vencedor do Premio Funarte de Arte Negra 2013 e realizado entre 2014 e 2015 na cidade de Porto Alegre, o projeto gira em torno da ocupação de um espaço localizado no Bairro Floresta através da qual se pretende fundar mais do que um centro artístico ou cultural: deseja-se, sobretudo, a criação de um circuito artístico voltado à associação entre debates, práticas artísticas e ações pedagógicas que destaquem questões relacionadas à presença do negro na sociedade brasileira.

Desenvolvido no contexto do Rio Grande do Sul, estado que historicamente exalta a herança europeia em seus traços e em sua cultura, o projeto tem a vontade de interferir na dimensão micropolítica do sistema da arte local e nacional – constituído hegemonicamente por artistas, curadores, críticos, colecionadores, historiadores, público e demais agentes de cor branca – utilizando a arte contemporânea como estratégia. Assim, através de ações artísticas e educativas inventadas por nove artistas residentes, o projeto deseja criar uma nova situação no contexto local ampliando os possíveis da prática artística.

Compõem o Projeto Casa Grande os artistas Estêvão Haeser, Giuliano Lucas, Leandro Machado, Luísa Gabriela, Marcelo Monteiro, Rafa Éis, Silvana Rodrigues, Waldemar Max e Michele Zgiet, proponente do projeto.

 

 

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